Produção de veículos bate novo recorde no Brasil
(Foto: Reuters)
A indústria automobilística nacional fechou o ano de 2010 com um novo
recorde de produção: 3.638.390 unidades fabricadas. O volume representa
alta de 14,3% sobre o ano de 2009, quando saíram das linhas das
montadoras 3.182.923 veículos (automóveis, comerciais leves, caminhões e
ônibus). Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (6) pela
Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea),
um dia após a divulgação de
recorde de vendas no ano pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
De acordo com a entidade, somente de automóveis e comerciais leves
foram produzidas 3.401.190 unidades em 2010, expansão de 12,4% em
relação ao ano passado, quando 3.024.775 foram fabricadas.
Alta de 54% para caminhões
O segmento de caminhões foi o que apresentou a maior alta na produção
anual: 54,7%, em relação a 2009, que registrou 123.633 unidades. É um
novo recorde ao segmento: ao todo, a produção chegou 191.321
unidades.Também com números históricos, o segmento de ônibus encerrou o
ano com 45.879 unidades produzidas, aumento de 32,8% sobre o ano
anterior quando haviam sido fabricadas 34.535.
O resultado confirma as projeções anunciadas anteriormente pela
Anfavea, que já considerava o contínuo aquecimento do mercado interno e a
dificuldade de recuperar as exportações em relação ao período
pré-crise.
Com os resultados positivos de 2010, as projeções de produção são de
crescimento de 1,1%, com total de 3,68 milhões de unidades fabricadas,
segundo o presidente da entidade, Cledorvino Belini. Paras as vendas no
mercado interno houve reajuste das expectativas para cima, para 3,69
milhões de veículos licenciados, ou seja, crescimento de 5% sobre 2010.
Exportações
Com o mundo se recuperando da crise, o Brasil conseguiu vislumbrar uma
realidade melhor em 2010. Ao todo, foram vendidos no mercado externo
765.680 veículos. O volume representa crescimento de 61,1% sobre o total
exportado em 2009, de 475.325 unidades.
Isso significa que a crise que abalou os principais compradores de
veículos nacionais já não ameaça mais as exportações brasileiras. Para a
Anfavea, porém, a indústria não é suficientemente competitiva para
manter o crescimento nas exportações. Como comparação, em 2008 haviam
sido exportadas 734,6 mil unidades. Para resolver o problema, a Anfavea
desenvolve um estudo, que apresentará ainda este ano ao governo
brasileiro, com alternativas que favoreceriam as exportações.
Em valores, o crescimento foi de 54,7% na comparação com 2009. De
janeiro a dezembro do ano passado, as montadoras exportaram US$ 12,9
bilhões; em 2009, foram US$ 8,3 bilhões. No entanto, em 2008 as
exportações em valores foram maiores: US$ 13,93 bilhões em veículos e
máquinas agrícolas. Ou seja, o valor agregado nos produtos caiu para as
fabricantes não perderem clientes no exterior.
"Em 2010, tivemos saldo negativo na balança comercial de US$ 5,7
bilhões", destaca o presidente da Anfavea sobre a queda das exportações e
o aumento das importações. "Estamos com a luz amarela acesa para a
evolução desses números."
Recorde confimado em vendas
Assim, as montadoras nacionais continuam dependendo do mercado interno.
Os licenciamentos de veículos novos no país somaram 3,51 milhões de
unidades, segundo a Anfavea, confirmando o recorde anunciado pela
Fenabrave. O volume supera em 11,9% as 3,14 milhões de unidades
registradas no ano anterior. Somente de veículos importados foram
660.141 unidades. Destas, 657.290 são de automóveis e comerciais leves
(picapes e utilitários esportivo). Com o resultado, as importações
atingiram crescimento de 35% em 2010 sobre 2009, de 488.874 unidades.
Para 2011, a expectativa da Anfavea é de que as exportações de veículos
montados e desmontados (CKD) caia 4,7%, de 766.000 unidades para
730.000. Por outro lado, as exportações em valores devem subir 1,6%
neste ano, de US$ 12,9 bilhões para US$ 13,1 bilhões.
Produção cai em dezembro
A produção em dezembro sofreu queda de 10,3% sobre novembro. Ao todo,
foram para os pátios das fábricas 283.873 veículos, contra as 316.331
unidades no mês anterior. A queda é justificada pelo período de férias
coletivas, quando as montadoras aproveitam para fazer ajustes nas
linhas. A fabricação de automóveis e comerciais leves caiu 10,2%, por
exemplo, para 265.755 unidades. Já a de caminhões teve retração de 9,2%
para 15.789 unidades. O segmento que sofreu maior queda foi o de ônibus,
de 24,5%, de 3.085 para 2.329 unidades.
De acordo com Belini, o estoque em dezembro ficou em 21 dias de vendas,
com 254.878 unidades nos estoques das indústrias e das concessionárias.
Em novembro, o volume era de 292.216 unidades, o que corresponde a 27
dias de vendas.
Fenabrave questiona vendas no mês
De acordo com os dados da Anfavea, dezembro de 2010 foi o melhor mês da
história da indústria automobilística nacional em termos de vendas. Ao
todo foram emplacadas 381.552 unidades de automóveis, comerciais leves,
caminhões e ônibus, segundo a entidade. A Fenabrave já havia divulgado
nesta quarta-feira que dezembro havia batido recorde, mas afirmou que o
aumento foi artificial. Para o presidente da federação, Sérgio Reze,
esse número está mascarado por uma prática chamada rapel, que consiste
no emplacamento do veículo sem ele ter sido vendido de fato.
Reze afirmou que essa prática é forçada às concessionárias por parte
das montadoras, que têm como objetivo atingir a meta de vendas da
fabricante e aumentar a participação no mercado. Com os carros
emplacados, os lojistas são obrigados a vendê-los como usados.
Questionado sobre essa prática, o presidente da Anfavea afirmou que não
tem acesso à estratégia de vendas de cada montadora, por isso não
poderia falar sobre o assunto. "Não cabe à Anfavea explicar essa
declaração, cabe ao Reze."
Empregos
O ano de 2010 encerrou com 136.103 pessoas empregas diretamente pelas
fabricantes de veículos e máquinas agrícolas. O número é 0,2% superior
ao de novembro, de 135.824 funcionários contratados. Em relação a
dezembro de 2009, o aumento das contratações diretas chegou a 9,3%, já
que naquele ano estavam contratadas 124.748 pessoas. O nível está entre
os maiores de, pelo menos, os últimos 10 anos.
Carros flex
Do total de automóveis licenciados, 86% foram com motores flex. De
2003, ano do lançamento dos modelos bicombustíveis, a 2010, as vendas
acumuladas de veículos desse tipo atingiram a marca de 12,5 milhões de
unidades. Nos anos anteriores a 2010, as participações do flex no
licenciamento total de carros foram as seguintes: 2003, 4%; 2004, 22%;
2005, 50%; 2006, 78%; 2007, 86%; 2008, 87%; 2009, 88%.
A queda na participação no ano passado em relação a 2009 é justificada
pelo aumento da importação de veículos, que normalmente não possuem essa
tecnologia. A participação dos carros importados no licenciamento
chegou a 18,8% em 2010.